Arquivo para dezembro \30\UTC 2011

Ponto de Vista

Festejos de encerramento de ano se aproximando, como já é de praxe, quase todos fazem seus planos e promessas de ano novo como se tudo que não deu certo até agora fosse milagrosamente mudar. Não sou um cético, muito pelo contrário, sou até um sonhador como a maioria das pessoas, porém nesse momento na minha concepção é muito mais produtivo realizar um balanço dos aprendizados adquiridos ao longo de mais 365 dias, maturar as ideias, relembrar as situações e finalmente separar o que foi bom do que foi ruim incorporando o que for válido.

O ano de 2011 não foi exatamente o que poderia chamar de bom, teria a classificação de um dos piores anos da minha vida não fosse por um pequeno detalhe, pequeno como um pacotinho e que responde pela alcunha de Letícia. O nascimento de minha filha tem uma importância que vai além do óbvio, não foi apenas a concretização do maior sonho da minha vida, me trouxe ganhos que eu nunca sonhei adquirir. O amadurecimento foi equivalente ao de toda minha existência até então, alterando completamente minhas perspectivas.

Como bom baiano, sou profundo admirador da poesia de Raul Seixas, um dos meus versos favoritos é: “ Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, depois deste ano me tornei um fã ainda mais apaixonado, pois a metamorfose jamais havia acontecido de forma tão acachapante. A mesma situação pode ser narrada das mais diferentes maneiras, dependendo do ponto de vista do narrador. Já sabia disso a muito tempo, mas sentir na pele uma mudança de ponto de vista nesta proporção foi uma experiência inédita, passar de filho a pai fez eu enxergar meus pais em outro patamar de grandeza. Dedicação, sacrifício, abnegação e tudo isso com prazer em estar tentando fazer o melhor para meu rebento me fez refletir e me transportou para minha infância, onde certamente meus pais tiveram os mesmos sentimentos só que com uma condição financeira bastante inferior, o que limitava as possibilidades que me poderiam ser oferecidas e, acredito eu, os frustrava em algumas situações.

O ponto de vista profissional também foi atingido, o que poderia ser considerado aceitável passou a não ser mais. O que era protelado passou a ser urgente. Ter uma pessoa que depende de minhas decisões e  atitudes as torna muito mais sérias, a responsabilidade pelo futuro de outrem fazem as minhas necessidades individuais serem segundo plano. Buscar desenvolver o meu potencial para no futuro ter a certeza que fiz o melhor que pude para Letícia é o mínimo que permito acatar.

A percepção da importância de um ponto de vista para guiar nossa vida, me permitiu entender situações que antes não aceitava em hipótese alguma, e isso nos mais diversos ambientes. Agora passo a entender cobranças e proibições que meus pais me impunham e eu ficava extremamente chateado, no trabalho compreendi que a visão de uma situação depende do cargo exercido e os objetivos sejam eles grandes ou pequenos a curto ou a longo prazo, também sofrem influencia direta do nível hierárquico e que é pura perda de tempo tentar impor as perspectivas de um ao outro, pois o resultado quase sempre será conflito e desavença.

Em resumo, o maior ganho foi aprender a aceitar as diferenças, pois cada um se posiciona de acordo com o que enxerga, e aquilo que vê torna-se sua verdade. Todos lutam por suas verdades e é improdutivo tentar sobrepor-se a verdade alheia, até porque o que é certo é relativo e nada garante que o que uma pessoa pensa é mais correto que o pensamento da outra.

Com esses pensamentos encerro o ano de 2012 na esperança de ter me tornado uma pessoa melhor, pois a única certeza que eu tenho é que me tornei uma pessoa diferente.