Arquivo para dezembro \29\UTC 2012

O Efeito Borboleta

Cinéfilo convicto que me considero, fui surpreendido com a afirmação de alguns colegas de trabalho acerca da genialidade do filme chamado “O Efeito Borboleta”. Não que fossem colegas incultos, ou ainda que o filme não mereça tal adjetivo, mas é que naquele momento, com aquelas pessoas, não esperava que se falasse sobre esse filme. E é sobre as incertezas das escolhas que eu quero falar, pois tal qual na película, toda decisão que tomamos desencadeiam uma série de acontecimentos sem que nos demos conta da magnitude das consequências.

Todas as vezes que se chega essa época do ano nos vemos envoltos em sentimentos de recomeços, de mudanças, de melhorias, de tudo aquilo que pode-se modificar juntamente com a mudança do calendário na parede. Isso é natural do ser humano assim como se iniciar regime na Segunda-Feira, inícios tendem a virar sinônimo de mudanças, mas todos nos sabemos que quase nunca acontece desta forma.

Tomamos decisões o tempo todo, desde pegar o elevador ou descer de escada até seguir pela orla ou pela paralela, e não saberemos com antecedência o resultado dessas pequenas decisões. O que fazer então? Ficar prostrado sem fazer nada? Essa não é a questão, a questão é se aceitamos ou não os rumos para os quais nossas decisões estão nos levando e o que podemos fazer para mantê-lo ou modifica-lo.

Minha vida não está exatamente onde planejei, mas para o ano novo estou tentando tomar decisões que a recoloquem em um eixo mais próximo do que eu imaginava, esse ajuste de direção pode fazer com que no final das contas dê tudo “certo”, como eu queria, mesmo por um caminho diferente.

Todos dão importância demais ao ano novo, no final das contas somos todos sempre os mesmos, com o acréscimo das experiências que absorvemos durante os 365 dias passados, como já falou o Skank, “em paz eu digo que sou o antigo do que vai adiante”. Mais importante seria dar maior atenção as nossas atitudes do dia a dia, de rotina, elas podem fazer um estrago que não temos ideia, para nós mesmos e para os outros.

Enfim, isso foi só para desejar que todos sejam melhores e mais felizes, independente da época do ano.

Mas ano que vem… Tudo vai melhorar.

Esse cara NÃO sou eu.

Será que toda mulher realmente quer ter ao seu lado um homem como o retratado na nova música de Roberto Carlos “ Esse cara sou eu”? Será que os homens que desejam desesperadamente ser vistos como “esse” cara prestaram atenção a letra da música?, Vejamos:

 

O cara que pensa em você toda hora
Que conta os segundos se você demora
Que está todo o tempo querendo te ver
Porque já não sabe ficar sem você

Esse cara é absurdamente pegajoso, qual mulher aguenta alguém o tempo todo no pé? Ligando a cada segundo para saber onde ele está e o que está fazendo? Além disso, é inseguro, pois não sabe o que fazer da vida se a mulher não estiver ao lado.

E no meio da noite te chama
Pra dizer que te ama
Esse cara sou eu

A mulher trabalha o dia todo, vai para faculdade cursinho, etc. Quando chega em casa cuida de tudo e arruma tudo para o dia seguinte, cuida dos filhos, se tiver, e finalmente quando consegue deitar para descansar o cara a acorda de madrugada para dizer que ama? QUEM é a santa que não vai mandar ele se …

O cara que pega você pelo braço
Esbarra em quem for que interrompa seus passos
Está do seu lado pro que der e vier
O herói esperado por toda mulher

Nenhuma mulher gosta de valentão, aquele cara que acha que a mulher dele não pode ser olhada por ninguém na rua nem pode ter amigos. Ainda acha que e mulher é dependente e precisa de um homem para protege – la.

O cara que ama você do seu jeito
Que depois do amor você se deita em seu peito
Te acaricia os cabelos, te fala de amor
Te fala outras coisas, te causa calor

Essa parte tá beleza posso até concordar.

Eu sou o cara certo pra você
Que te faz feliz e que te adora
Que enxuga seu pranto quando você chora
Esse cara sou eu
Esse cara sou eu

Essa parte é bem dúbia e pretenciosa, dúbia porque não diz que ele mesmo pode ter causado o choro e pretenciosa porque afirma com toda certeza que é o “cara” certo.

Resumindo, acho que se o cara for literalmente como descrito na música, a mulher vai tirar onda com a cara dele, chamar de otário e dispensar. Além disso, o cara que tentar ser assim o tempo todo vai perder uma boa parte da vida procurando uma mulher que o suporte, até aprender que bonzinho só se dá mal.