Arquivo de dezembro \13\UTC 2013

Escolhas

Uma nova chance, oportunidade de fazer diferente, seja para o que for. Um novo diálogo, uma nova atitude, uma nova escolha, é o sonho dos frustrados, ou de todos se filtramos a hipocrisia.

Na música interpretada pelo capital inicial eles citam: “Se um dia eu pudesse ver o meu passado inteiro, e fizesse parar de chover nos primeiros erros, meu corpo viraria sol, minha mente viraria ar, mas só chove, chove, chove, chove.” Seguindo esta linha de pensamento Johnny Cash na sua música (Hurt = Dor, machucar), se pergunta o que ele se tornou, o porquê de que todos com que ele se importa vão embora no final, e ainda é mais agressivo afirmando que quem ficasse ele teria machucado, porém, paradoxalmente, no fim da música ele afirma literalmente: “Se eu pudesse começar de novo, a milhões de milhas distante, eu me salvaria, eu encontraria um jeito.”.

Onde tudo isso se uni é o foco deste texto. Muitas vezes não gostamos dos rumos que tomam nossas vidas, e a incapacidade ou falta de força em mudar o cenário causa um sentimento de angústia extremamente aprofundado, porém, saber que o causador desta situação foi o livre arbítrio, ou seja, nós mesmos, só piora a sensação de derrota e nos deixa em uma encruzilhada. Continuar ou mudar, ainda é uma escolha individual.

Família, filhos, condição financeira e física podem servir como subterfúgio para se manter onde está, justificar e se conformar com a mediocridade, aceitar ser corroído diariamente por um sentimento de insatisfação mas fingir que nada acontece, que é feliz, no mais lúdico significado da palavra, em muitas ocasiões é a escolha mais conveniente a se fazer, mas todos sabemos que não é a única.

Voltando ao inicio do texto, o tempo não volta, não existe segunda chance para o que se foi. Ao menos não da mesma forma, no mesmo momento e com a mesma pessoa, mas o rumo de nossa vida pode ser mudado a qualquer instante, independente da situação. Evidente que existem diferentes graus de dificuldade, mas vai depender muito mais da vontade que dos problemas e isso é fato.

Atualmente vivemos num mundo de cobranças, em casa, no trabalho, no relacionamento, mas a pior cobrança é a que fazemos a nós mesmos, desta não podemos fugir, não podemos dar desculpas, essa é a que temos que resolver, e todos tem esta capacidade, cada um a sua maneira, cada um do seu jeito.

Como este é um texto quase musical, encerro citando Frank Sinatra, na música My Way:

Arrependimentos, eu tive alguns, mas aí, novamente, pouquíssimos para mencionar.

Eu fiz o que eu devia ter feito

E passei por tudo consciente, sem exceção.

Eu planejei cada caminho do mapa

Cada passo, cuidadosamente, no correr do atalho

E mais, muito mais que isso

Eu o fiz do meu jeito

Sim, em certos momentos, tenho certeza que tu sabias

Que eu mordia mais do que eu podia mastigar

Todavia fora tudo apenas quando restavam dúvidas

Eu engolia e cuspia fora

Eu enfrentei a tudo e de pé firme continuei

E fiz tudo do meu jeito”

 

E do meu jeito ainda posso mudar, todos podemos.