Mudanças que comprovam a evolução

A constatação de que os seres humanos são mutáveis ao longo dos anos é tão obvia que chega a ser banal. Contato com novas pessoas, novas culturas, novas situações, tudo que é novidade serve para moldar esse novo alguém que vai surgindo com o tempo. Porém, nessa panela onde essa nova criatura está se formando, também estão as outras pessoas que conviviam com o antigo ser, e que igualmente estão passando por mudanças. Como então laços que aproximavam essas pessoas, que tornavam as relações sólidas, possíveis, indestrutíveis, podem continuar existindo e resistindo a tudo isso?

Talvez esse seja apenas um dos exemplos que comprovam a capacidade de adaptação dos humanos, onde diferenças são superadas em prol de algo maior, ou, ao menos, um exemplo de que somos seres tão apegados ao que já conhecemos que não queremos abrir mão do que algum dia já foi prazeroso, mas hoje pode ser chamado no máximo de melancolia.

Ambas as ideias, mesmo que antagônicas podem estar corretas. Durante a vida, com trabalho, estudo, viagens, casamento, filhos, nos tornamos pessoas diferentes. Mas a essência continua a mesma dirão alguns, será? Se eu não uso as mesmas roupas, não escuto as mesmas músicas, não frequento os mesmos lugares, não como as mesmas comidas, etc. Como podemos definir essa essência? Não digo que seja impossível, apenas extremamente complicado. E acredito não ser essa essência subjetiva que faça as pessoas continuarem convivendo juntas ou não, mas sim se temos êxito em elevar o nosso próximo conforme formos nos elevando, ou, em um cenário mais deprimente não permitamos que as pessoas ao nosso redor cresçam, mantendo – as ao nosso lado em um patamar inferior.

Nesse ciclo constante que é a luta por evoluir, ajudar, conhecer novas pessoas e recomeçar, que se dará nossa história, isso irá determinar o amigo que é pra vida toda e o que ficou pelo caminho, o casamento eterno ou o divórcio inevitável, se a relação pais e filhos pode realmente ser chamada de relação ou tornou – se mera demonstração para sociedade.

Claro que existem exceções, existem os abnegados que passam toda a vida tentando elevar quem não quer ser elevado, e eles merecem todo consideração, e ainda não imaginem neste texto uma conotação puramente religiosa, da nossa evolução como seres humanos não será definido apenas quem estará ao nosso lado, mas se ainda existiremos, em qualquer lado.

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    • Beroaldo Valeriano Justino
    • 17 outubro, 2015

    Meu caro Bruno só hoje (17/10/2015) li este texto. Um belo texto. Como sempre você continua com a capacidade de sintetizar em palavras escritas os pensamentos que avoam na cabeça.
    Permita me um breve comentário. Vou evocar dois filósofos antigos para iluminar nossas inquietudes. Parmênides e Heráclito. Aparentemente, tinha duas visões antagônicas sobre o ser, sobre o mundo. Enquanto Heráclito explicava o mundo pelo eterno movimento. Tudo está em constante movimento, em constante transformação, nos deixou uma rase famosa “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio, pois o rio não é o mesmo” alguém acrescentou depois “nem o homem”. Já Parmênides explicava o contrário, que as coisas não mudam, pois a mutação não passa de aparência. Para Parmênides o ser é e pronto.
    Faço agora propriamente meus comentários. Ambos têm razão. Mudamos, mas permanecemos. Uns mudam mais que outros, alguns têm mais propensão para permanecer. Utilizo me do exemplo de Heráclito sobre o rio. É verdade que o homem não passa duas vezes pelo rio, pois o rio não será o mesmo, seu fluxo contínuo não irá permitir que o homem se banhe na mesma água, mas tem alguma coisa neste rio que o torna único
    “Com origem no Atlântico Norte, englobando a Escócia, Dinamarca e Noruega, o salmão nasce em rios e lagos de água doce, e só na maturidade, cerca de 2 a 5 anos, seguem em direção ao mar. Anualmente os salmões retornam para os rios onde nasceram para desova.” (Texto pesquisado http://www.petitgastro.com.br).
    Algo permanece no rio que faz com que o peixe retorne exatamente para aquele rio. Por isto meu amigo, digo que estamos em constante mutação, em constante influência do ambiente das pessoas e etc. Algumas destas influencias tornam-se lembranças outras se enraízam em nosso ser e passa a fazer parte de nós. Por isto digo Mudamos, mas nossa essência permanece.

    Beroaldo Valeriano Justino

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