O equilíbrio do homem moderno

Já é assunto mais do que debatido que a mulher ocupa um espaço cada vez maior no mercado de trabalho, inclusive desempenhando atividades
antes típicas e exclusivamente masculinas. É mais do que evidente também que em decorrência de a mulher estar trabalhando, passa a ter as rédeas da sua própria vida, pois não dependerá de um marido provedor para sobreviver, o que resulta numa mudança absurda de como se desenvolvem as relações conjugais, uma vez que a mulher se coloca em pé de igualdade e a submissão é quase uma lenda, ou seria, se não tivesse havido antes a inversão, ou seja, hoje é muito mais fácil de se ver um homem se submetendo a absolutamente todas as vontades da mulher, completamente dominado, e pior do que isso, acreditando que isso é a ordem natural das coisas e caso tente expressar sua vontade vai perder a mulher que gosta e ainda ficar com fama de machista ou troglodita no mínimo.

Eu me interessei a escrever sobre esse tema depois que li o texto de Paulo Nogueira intitulado: “O controle remoto é a excalibur do homem
moderno(É o último reduto que ainda resta diante da mulher exigente)”, o texto foi publicado na sessão “Nosso homem em Londres” da revista VIP de Setembro de 2011. Nesse texto o autor narra, a sua maneira, exatamente o que descrevi no primeiro parágrafo, transformando a mulher exigente(moderna, atual), em um monstro dominador, o inimigo feroz e incontrolável que não conseguimos viver sem, e pior do que isso afirma que nós criamos o monstro com nossas atitudes, nos colocamos em estado de inferioridade. E como o título do texto publicado já sugere, ele acredita que o comando do controle remoto é a única esperança da resistência masculina, uma vez derrubada essa barreira estaremos inevitavelmente e completamente dominados.

Quando eu li este texto, claro que percebi que é bem fidedigno as relações do mundo atual, e que a maioria dos homens realmente vem pensando
e agindo desta maneira. A MAIORIA, mas não todos, alguém já perguntou para as mulheres se elas querem viver ao lado de um banana, se elas sonham em casar, (me perdoem a expressão chula), com um homem puta? Se elas realmente querem tomar todas as decisões sem serem questionadas? Eu tenho certeza que não.

A sociedade certamente evoluiu ao longo dos anos, os papeis de cada um no novo mundo, que contrasta com a época pré-histórica, mudaram muito. Mas uma coisa que não mudará jamais é que mulher é mulher e homem é homem, (Essa afirmação foi  inquestionável, não foi?), o que quero expressar é que claro que a mulher conseguiu uma série de conquistas, mas não perdeu sua delicadeza, não perdeu a vontade de ser cuidada, não perdeu a vontade de ser aquecida e protegida pelo abraço de um corpo masculino, a mulher no fundo quer ao seu lado um parceiro, alguém que concorde e discorde de suas opiniões, saiba se impor quando necessário, a chame para realidade quando for preciso, seja duro quando a ocasião pedir(sem duplo significado), mas que faça tudo isso com gentileza, com amor, com carinho, que seja um companheiro pela
definição literal da palavra.

É muito comum ouvir as mulheres reclamando da escassez de Homem, com H maiúsculo no mercado, muitas reclamam até do aumento da
homossexualidade, e isso de uma maneira tão grave que um grupo de estudantes universitárias confeccionou uma camisa com o singelo dizer: “Mulher também tem cu”. Outras vivem infelizes com os homens puta e eventualmente procuram um amante para espantar a depressão. O que tanto os homens quanto as mulheres tem que entender é que o equilíbrio entre o homem das cavernas, o macho alfa, dominador inato e comandante de tudo, com o homem metrossexual, submisso e entregue, não é uma coisa fácil de se alcançar, na verdade são muito poucos que conseguem enxergar a necessidade de buscar isso. Já a mulher por sua vez, já que quer um homem de verdade ao seu lado, precisa agir com inteligência emocional, sua pressuposta fragilidade é sua maior arma contra o homem protetor, e os resultados serão bem mais eficientes que o confronto direto.

Em suma, no mundo atual, para sustentar uma vida digna, depende – se do trabalho do casal. As relações são e sempre serão complicadas, mas
se cada um se esforçar em prol de um convívio harmonioso já facilita bastante, se o Homem mantiver sua pegada e a mulher sua delicadeza, essas
características inatas, pouco importa quem fica com o controle remoto, até porque o futebol só começa depois da novela.

Vou parando por aqui, é que minha esposa chegou e eu ainda não lavei os pratos, depois eu escrevo outro texto, mas ao contrário do que falou
Paulo Nogueira no encerramento de seu texto, se ela me mandasse deletar esse texto jamais faria isso, pois ela jamais MANDARIA eu fazer isso, uma vez que conhece o Homem que tem.

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As perdas da imaturidade

Quão tolo pode ser um homem? Pergunta difícil, provavelmente sem nenhuma resposta convincente. Mas quando se resume a generalização ao seu mundo particular pode ser um pouco mais simples de determinar tudo que se perdeu ou tudo que se deixou de ser por pura tolice, ou, se preferirem, imaturidade.

Quando menciono perdas, nem passa pela minha cabeça as materiais. Pois essas, apesar de importantes, não se comparam as perdas emocionais, a perda dos momentos, a perda do que passou e jamais poderá ser recuperado, a perda do amor.

Já tive perdas consideráveis na minha vida, e pelas mais variadas razões, que vão desde o orgulho, passando pelo machismo, dando uma parada na preguiça e estacionando na falta de conhecimento, ou, mais uma vez a famigerada imaturidade.

O engraçado deste texto é que minha psicóloga, ao me ouvir falar que não lidava bem com as derrotas, que não sabia “perder”, e ainda que não valorizava minhas vitórias pois era o esperado pelo esforço e dedicação despendidos por mim em detrimento a fazer outras atividades mais aprazíveis. Que lembrava com detalhes os meus muitos reveses, mas não recordava com a mesma vivacidade minhas vitórias, encerrou a sessão e me pediu para refletir sobre isso. Ou seja, esta é minha lição de casa.

Agora para falar das minhas perdas, preciso envolver as pessoas que fazem diferença na minha vida, pois por mais que as perdas sejam minhas, são as vidas e os sentimentos deles expostos aqui, espero que não se ofendam e mais uma vez me perdoem.

Meus pais se separaram, eu tinha por volta de 19, 20 anos e minha irmã 11,12 anos, esta separação foi abrupta, conturbada e agressiva, deixou cicatrizes em todos os envolvidos, quem teve a iniciativa da separação foi minha mãe, algo ainda menos comum de se acontecer, pois os fatos se desdobraram da seguinte maneira:

Quem me conhece minimamente, ou até já leu alguns dos meus textos sabe que minha relação com meu pai nunca foi das melhores e minha mãe era meu porto seguro, minha amiga e conselheira. Mas no momento da separação eu não tive o direito de sentir a minha própria dor, minha própria angustia ou descontentamento. Pois tinha que me manter firme para consolar minha irmã, ajudar meu pai a se manter em pé e a tirar da minha mãe um pouco do peso das atitudes que ela tomou. Isso até chegar o dia de minha mãe mudar de casa e fazer a fatídica pergunta: Você não vem comigo? E eu dar a única resposta que meu caráter permitia naquela situação, – Não, eu não posso deixar meu pai sozinho neste estado, é a minha responsabilidade como filho mais velho tentar fazer o melhor para todos e agora eu sou mais importante aqui. Doeu em minha mãe, doeu em mim, mas eu sabia que estava agindo certo.

Foram messes ajudando meu pai, muita depressão, muito choro no meio da noite, muito desespero (foi o mais próximo que fui de meu pai na minha vida). Mas o tempo cura tudo e surgiu uma namorada para acelerar o processo. Neste mesmo período me afastei de minha mãe, ela arranjou um namorado e eu não lidava bem com a situação e ainda não tinha esquecido a separação.

Pois o pior aconteceu, a namorada supria a carência que meu pai sentia e minha relação com ele voltou ao normal, ou seja, problemática. O clímax foi quando ela engravidou por acidente, e eu numa discussão grave com meu pai resolvi ir embora, colocar meu orgulho de lado e pedir para morar com minha mãe, que me recebeu de braços abertos.

Para encurtar esse longo texto vou enunciar o que dói ter perdido:

1- Mesmo tendo acertado em ficar com meu pai, deveria dar um suporte maior a minha mãe que passou por muitas dificuldades, inclusive financeira.
2- Deveria estar mais próximo de Karoline, ela foi quem mais sofreu com tudo isso, teve problemas na escola e de saúde e eu não estava lá.
3- Por sair da casa de meu pai brigado, com ele e com a esposa, não presenciei os primeiros momentos da vida da minha irmãzinha linda que hoje tem cinco anos, Yasmim, que já conheci com alguns messes. Diferente do que aconteceu com a minha outra irmã,filha de minha mãe, Mikaela, hoje com três anos, e de quem estive sempre perto.
4- Nos meus relacionamentos, descontei em minhas parceiras, foram duas no período, coisas descabidas e injustas, perdendo boas oportunidades de viver momentos felizes.

Essas perdas são só de uma situação na minha vida e já me doem profundamente, não vou poder voltar atrás, apenas pedir perdão eternamente, mas como minha psicóloga me perguntou das vitórias, vou falar da maior delas, ter conseguido escrever este texto com essa visão dos fatos, aprendido com meus erros e acertos, saber o valor dos momentos e da vida familiar, e principalmente nunca cansar na busca da melhora como ser humano, ou como preferirem, mais uma vez, MATURIDADE.

A limitação das ciências exatas ou a falta de limites das ciências humanas, ou simplesmente Karoline.

Um litro de óleo contamina um milhão de litros de água, de forma análoga mas inversa um mínimo de umidade pode tornar um produto químico fora de especificação.  A soma de 1 + 1=2, nas ciências exatas tudo tem uma resposta estabelecida, uma explicação inquestionável, e, retirando raríssimas exceções, definitiva e imutável, o que torna este ramo (que nem por isso deixa de ser muito importante e indispensável) limitado, finito.

Nas ciências humanas não conseguimos tantas certezas absolutas, se três pessoas diferentes presenciarem determinada situação, provavelmente cada uma terá uma interpretação própria e diferente. Existem diversas técnicas, trocentas teorias de relações humanas, relacionamento interpessoal, atitudes que devem se ter para se alcançar determinado objetivo, mas mesmo fazendo tudo que se manda ao pé da letra o objetivo não chega, e ninguém sabe explicar o porquê. Existem infinitas possibilidades, tornando a amplitude das ciências humanas imensurável.

Toda essa limitada explicação da minha visão das ciências foi com o objetivo de dar um exemplo de algo que não tem a menor lógica ou explicação, principalmente para o meu cérebro acostumado a simplicidade do resultado de uma equação, que é aquele e só aquele.

Quantas vezes na vida encontramos pessoas que gostamos de graça ou que simplesmente odiamos a primeira vista? Isso é curioso, mas essas pessoas que passam pela nossa vida estão com uma relação dependente da sua atitude, uma briga pode acabar a amizade ou uma boa ação pode fazer se mudar uma opinião sobre alguém, e, além disso, são muitas pessoas, deixa de ser tão interessante. Espetacular é a falta de explicação das pessoas que gostamos de forma incondicional, essas são muito poucas e eu poderia escrever um texto para cada uma delas, mas esse texto é de Karoline.

Quando Karoline nasceu eu já era um pré-adolescente, aquele nascimento não só fazia com que eu não fosse mais um filho único, mas me transformava numa espécie de guardião da minha irmãzinha tão pequena e desprotegida, além de existir agora outro ser que dividia minha realidade na plenitude.

Karoline foi crescendo e como bom guardião muitas vezes tive que ser duro, rígido, mas não por satisfação pessoal e sim para prepara – lá para a vida. Chegou a adolescência, os conflitos, as dúvidas, todos os transtornos normais passaram pela vida dela, e eu sempre estive lá, mas nem sempre para consolar, porque quem cai tem que aprender a levantar sozinho, quem sofre amadurece com o aprendizado, minha vigília era constante, mesmo que muitas vezes ela não tenha entendido minhas intenções.

Minha irmã se tornou uma mulher, inteligente, equilibrada e que está construindo sua vida, mas para mim continua sendo aquele pedaço de gente com o rosto redondo e a bochecha grande, e eu continuarei sempre sendo o guardião, porque pode-se usar processos químicos para purificar aquela água contaminada com o óleo, ou ainda pode-se retirar a umidade do produto químico e o tornar dentro do especificado, mas nada pode mudar meu amor por Karoline, não existe ação, desgosto, ou qualquer formula que altere este sentimento.

Não existe nada mais humano que o amor incondicional, ele pode ser de várias formas, não tem explicação lógica, e é absolutamente intenso e infinito.

Bahia, paixão que aproxima.

Na chegada da véspera do Dia dos Pais, resolvi contar aqui um dos muitos
fatos que me lembro da minha vida como um todo e que estão diretamente ligados
ao Bahia.

Minha relação com meu pai nunca foi boa, talvez porque eu fui um filho
acidental de um homem de 22 anos com uma menina de 16 e que ainda estudavam
tentando uma ascensão social na escola técnica. Ou quem sabe pela própria
imaturidade da idade e conceitos da época que não permitiam demonstrações de
afeto ou comportamentos, hoje tido como naturais de um pai presente, afetuoso e
responsável. Ou ainda tentando me endurecer para enfrentar as dificuldades do
local muito pobre e cheio de criminalidade que morávamos, e também pelas
dificuldades que com certeza um negro, pobre e nordestino encontraria (e
encontrei) na minha jornada.

O fato é que meu pai não demonstrava nenhum tipo de afeição por mim, e isso
para uma criança é muito mais dolorido.

Da minha infância, os poucos momentos felizes que lembro com meu pai foram em
jogos do Bahia, como fomos no maior público da história da fonte, Bahia x
Fluminense em 88 e eu pude ver com meus olhos, dos ombros do meu pai, o poder de
uma paixão. Ou, ainda em 88, quando meu pai estava saindo para trabalhar e o
Inter estava ganhando de 1 x 0 e ele me disse: “O Bahia vai virar, não se
preocupe”. E o Bahia virou, me deixando imaginando se ele era vidente.

Mas o fato que realmente me marcou, envolvendo eu, meu pai e o Bahia, foi em
1994, aquela final do campeonato baiano. Era angustiante ver o tempo passar e o
vicetória ganhando, pior ainda é que não pudemos ir para o estádio e ficamos
dando voltas ao redor do rádio, como um ritual inconsciente aguardando o gol do
Bahia, e ele veio da maneira mais espetacular possível, no final do jogo, sem
chance de reação. No momento do gol eu e meu pai nos abraçamos como nunca,
gritamos de alegria, choramos de felicidade e sussurrando ele falou “eu te amo”.
Fiquei atônito, não sabia se continuava feliz pelo Bahia, se ficava surpreso
pelo que escutei ou se ficava satisfeito por descobrir que tinha um pai que me
amava do seu jeito e só o Bahia pôde me mostrar isso, já nos meus 13 anos.

Toda essa história é porque, como já disse, o Dia dos Pais está chegando e
minha esposa me perguntou por que eu comprei a camisa retrô de Raudinei para
ele, já que ela achava que tinham outras mais bonitas ou mais atuais. Eu só pude
responder que Raudinei não me deu um gol, Raudinei não me deu um título,
Raudinei me deu uma das coisas mais valiosas da minha vida. A sensação de que eu
tinha um pai de verdade, e que ele me amava.